14 Março 2007

PEQUENAS FLORES VERMELHAS


PEQUENAS FLORES VERMELHAS

Qiang é um pequeno rebelde de 4 anos, com uns olhos luminosos e uma vontade precocemente indomável. Uma vez que os seus pais estão frequentemente ausentes, o pai de Qiang deixa-o num infantário residencial bem provido na Pequim pós-1949.
A vida no infantário aparenta ser divertida, feita de uma variedade de rituais animadamente radiosos e de jogos com o intuito de instruir estas crianças a serem bons membros da sociedade.
Mas não é fácil para Qiang adaptar-se a este tipo de vida, em grupo, cuidadosamente organizada, examinada minuciosamente ao minuto. Este individualista feroz em miniatura tenta conformar-se com o modelo imposto pelos professores. Embora continue a desejar o prémio que os outros estudantes ganham: as pequenas flores vermelhas oferecidas todos os dias como símbolo de bom comportamento, Qiang não ganha nenhuma flor pois nem sequer consegue vestir-se e nem brinca com as outras crianças. Ele ainda se atreve a responder mal à rígida Professora Li e ao Reitor Kong quando tentam impor alguma disciplina.
Gradualmente, o carisma e a fanfarronice dele começam a ganhar magnetismo perante os colegas: as pequenas dissimuladas rebeliões deles ganham força quando ele é bem sucedido em convencer todos que a Professora Li é um monstro disfarçado que come crianças. Quando a tentativa de captura da professora é frustrada, a resistência de Qiang desenvolve-se numa dimensão perturbadora e é forçosamente excluído pelos companheiros.
Será que ele irá render-se ao regime adulto imposto em volta dele, ou será que insistirá em crescer à maneira dele, e pelas regras dele?

Realização: Zhang Yuan
Com: Dong Bowen, Ning Yuanyuan
China/Itália, 2006
Estreia: 15 de Março de 2007

6 comentários:

Anónimo disse...

Excelente filme, que demonstra mais ainda as mazelas do comunismo...

Anónimo disse...

As mazelas não são do cmounismo... Mas de qualquer instituição educacional que não é atenta para as individualidades. Não é por ser criança que um ser deve deixar de se expressar ou, na pior das hipóteses, não achar no professor um elo para a realidade. A criança não tem as ferramentas 'adultas' para se expressar, então ela usa a pirraça, a briga, etc, quando não está de acordo com uma situação ou mesmo quando está propondo algo. O professor é um grande responsável no sentido de não deixar essa criança sozinha: não colocá-la numa camisa de força (regras, regras e regras -- mesmo sabendo que elas também são importantes), mas instrumentalizá-la para que ela se expresse, por mais que seja diferente das outras crianças. A fala de um pai que vai buscar seu filho e vê que Quiag não tem flor diz muito bem aos professores :'VocÊs tem de ajudá-los!'

papagueno disse...

Anónimo1: Obrigado pelo teu comentário mas nós por cá temos mazelas bem piores que o communismo: O socratismo, santanismo, barrosismo e cavaquismo. São "ismos" que já deixaram demasiadas mazelas a este país.

Anónimo2: Obrigado pelo teu comentário. Assino por baixo.

erica disse...

como disse antes, as mazelas não são do comunismo, mas (como disse papagueno) todos os 'ismos' que aprisionam. e a educação não deixade ter seus 'ismos' também. como educadores, mesmo os que o são fora de sala de aula (pois que o contato entre os seres humanos provoca uma reação bilateral), "é preciso estar atento e forte"!

DILZA BERGAMO disse...

de excelente roteiro prendeu-me a atenção do começo ao fim.como seria se nossas crianças na atualidade tivessem uma rigidez tão grande/

Mirian disse...

Espetacular! Para mim, a mensagem do texto foi muito clara em todas as cenas: Não sabemos conviver com o "diferente". No filme, Quiang é uma criança como nós, tentando se enquadrar no "sistema". Os que conseguem e demonstram essa capacidade são, de logo bem aceitos já os outros que não tem essa facilidade são espurgados, deixados de lado. Duas cenas, em especial, foram muito marcantes para mim: Aquela em que o general (alguém de fora) chama a atenção da professora para ajudar o pequeno Quiang e, quando ele, sem ninguém e isolado, busca refúgio em um hospital psiquiátrico. Imaginem quantos "Quiangs" nossa sociedade já produziu e produz a todo instante?